“Sabe aquela mulher ali, na mesa atrás do garçom, com uma taça de vinho? Então rapaz, ela gostava de mim no colegial. Ela me disse isso. Eu a encontrava toda hora nos corredores e eu descobri que ela que causava esses encontros, fazia com que parecessem por acaso. Ela me via, as vezes desviava o olhar e quando decidia me cumprimentar ficava toda vermelha de vergonha. Ela falava de mim para as amigas a todo momento e perguntava de meu comportamento na sala de aula para os professores, eu sei disso porque eu passava ao lado e acabava ouvindo meu nome e porque os professores comentavam a insistência de uma menina de outra série em perguntar de mim. Eu não liguei muito, ela era meio tímida, comum e as vezes meio escandalosa. Ria o tempo inteiro com as amigas no intervalo e eu sentia que sempre procurava passar ele inteiro perto de mim, me olhava as vezes mas as amigas dela viviam a me fitar. Bem, ela era nerd sabe? A mais inteligente da escola, porém ela sempre foi engraçadinha e nunca mergulhou realmente nos livros, coisa que me espantava já que tinha notas mil vezes melhores que as minhas. Ela nunca era de dar em cima dos meninos lá da escola, sempre foi muito na dela e tinha amigos, mas não era muito grudada neles. Mesmo sabendo dessa paixão ou fascinação dela por mim, nunca me interessei e voltei com minha ex-namorada, da época. Acabou o ano e ela se mudou de escola, do nada cheguei lá e não tinha mais aqueles encontros do nada, nenhum professor comentavam sobre perguntas de meninas de outra série e eu não ouvia meu nome mais pelos corredores. Não tinha mais meninas me olhando, ninguém ficava vermelha ao me ver e nenhuma menina daquela escola tinha se declarado para mim. De começo nem me importei muito e continuei essa minha vida monótoma, continuava a namorar e passei a nem lembrar mais daquela garota. Até que se passaram seis anos e estou aqui. Terminei com aquela menina que eu namorava, não tenho mais nenhuma mulher na minha mente, estou desempregado e semana passada encontrei um amigo do colegial, que por acaso era amigo dela também. Papo vai, papo vem, começamos a falar das pessoas daquela época e ele citou o nome dela, de começo nem lembrei, mas depois recordei direitinho de quem ele falava. Ele comentou que ela mudou de escola por minha causa e que passou o segundo ano e o terceiro em uma escola de horário integral. Ele disse que ela continuava a mesma, que não dava mole pros meninos e que continuava a ficar vermelha quando estava tímida. E foi nessa história de falar dela que me deu uma sensação estranha, enquanto ele falava eu lembrava do rostinho dela ao me ver pelos corredores, dela rindo com as amigas, desfilando de um lado e pro outro. Me deu uma sensação de perda mas logo cai em mim, foi na hora em que ele começou a falar da vida amorosa daquela garota. Disse que ela estava namorando, que parecia que ia noivar mês que vem. Disse que ela tem um emprego fixo e que está financeiramente bem estruturada, que vai viajar para Paris e que continua a encontrar as amigas num barzinho perto do apartamento dela. Por um acaso, eu decidi ir nesse tal barzinho, que seria esse aqui rapaz e a tal garota, aquela ali. Ela mudou chapa, ela mudou. Aquela menininha que tomava refrigerante no intervalo, engasgava com uma bala enquanto ria, que era apaixonada por mim e era a nerd na qual eu ignorei … Ela mudou e está lá, tomando um vinho, rindo com as amigas, bem sucedida e prestes a receber uma aliança de noivado, só que não serei eu que irei dar, será outro cara. É rapaz, eu perdi uma mulher linda porque eu deixei de a enxergar, para me divertir por ai. E hoje quem se diverte é ela, sem mim, com ele. Então fica a dica ai: Não deixe a garota do colegial, bobinha e apaixonada escapar, porque ela pode virar a mulher que é chefe de uma empresa multinacional, esperta e amada e você? Bem, você um zé roela qualquer que está na porta do bar dessa garota, babando por ela enquanto ela toma um vinho com as amigas que você julgava baba ovo.” Mariana Tarifa